
O verdadeiro salto da inteligência artificial no marketing não é escrever textos mais depressa. É começar a ligar conhecimento, ferramentas e execução num único processo.
Hoje existem ferramentas para praticamente tudo.
Temos uma plataforma para email marketing, outra para páginas, outra para reuniões, outra para documentos, outra para conteúdos, outra para CRM e mais umas quantas para inteligência artificial.
O problema começa quando passamos o dia inteiro a saltar entre elas.
Copiar daqui.
Colar ali.
Abrir outra janela.
Voltar ao ChatGPT.
Copiar novamente.
Entrar noutra plataforma.
E repetir.
Até agora habituámo-nos a utilizar ferramentas como o ChatGPT para nos dar respostas.
Pedíamos uma ideia para uma landing page e recebíamos o texto.
Depois tínhamos de pegar nesse texto, entrar na plataforma, criar a página, copiar os conteúdos, configurar os campos e construir tudo.
O mesmo acontecia com emails.
A IA escrevia.
Nós executávamos.
Quando conseguimos ligar a IA às plataformas que utilizamos, este processo começa a mudar.
Aqui está uma utilização que considero particularmente interessante.
Imagina que tens uma reunião de 45 minutos com um potencial cliente.
Durante essa conversa ele explica os problemas, objetivos, dúvidas, receios e aquilo que gostaria de alcançar.
Naturalmente, não vais memorizar cada frase.
Mas se tiveres autorização para gravar e transcrever essa conversa, passas a ter matéria-prima extremamente valiosa.
A partir dessa informação podes criar:
Uma única conversa pode passar a alimentar várias partes do teu marketing.
Uma das maiores barreiras ao email marketing é simples:
“O que é que eu vou escrever?”
Mas provavelmente já tens conteúdo.
Está numa reunião.
Numa aula que deste.
Numa conversa com um cliente.
Num vídeo.
Numa apresentação.
Ou numa dúvida que alguém te colocou.
Em vez de começares do zero, podes partir dessa informação e transformá-la numa newsletter.
É exatamente aqui que começamos a perceber o ganho de produtividade.
Não estamos necessariamente a trabalhar menos o marketing.
Estamos a perder menos tempo com as partes repetitivas.
Há um perigo evidente quando toda a gente começa a utilizar as mesmas ferramentas.
Tudo pode começar a parecer igual.
Os mesmos títulos.
As mesmas estruturas.
As mesmas imagens.
A mesma linguagem.
Por isso, mesmo utilizando IA, há algo que não devemos abdicar:
a nossa identidade.
As cores da marca, o logótipo, a forma como falamos, os exemplos que utilizamos, as experiências que vivemos e a opinião que temos sobre o assunto continuam a ser fundamentais.
A inteligência artificial pode construir mais depressa.
Mas somos nós que temos de lhe dar matéria-prima suficientemente nossa.
Agora pensa num funil simples de geração de leads.
Normalmente precisamos de:
Até aqui, cada elemento implicava vários passos manuais.
A oportunidade está em começarmos a utilizar IA para acelerar parte dessa construção.
Isto não significa que a primeira versão criada seja a versão final.
Muito pelo contrário.
A página pode precisar de melhor copy.
Pode precisar das tuas cores.
Pode precisar de imagens reais.
Pode precisar de uma estrutura diferente.
Mas uma coisa é começares com uma página em branco.
Outra é começares com 70% da estrutura já montada.
Criar uma landing page em poucos minutos não significa que essa landing page esteja automaticamente preparada para converter. A IA pode acelerar a construção, mas continuas a precisar de perceber a oferta, o cliente, a mensagem, a proposta de valor e a ação que queres que a pessoa execute.
Este é provavelmente um dos maiores erros que vejo em pequenos negócios.
Criam uma landing page.
Começam a captar contactos.
E depois não acontece praticamente nada.
A pessoa recebe aquilo que pediu e desaparece.
Mas uma lead não é automaticamente uma venda.
É o início de uma relação.
Por isso, depois da captação, devemos perguntar:
Que jornada quero que esta pessoa faça?
A pessoa descarrega um ebook, checklist, guia ou outro recurso.
Recebe conteúdos úteis relacionados com o problema que quer resolver.
Vai conhecendo melhor a tua forma de pensar e aquilo que tens para oferecer.
Pode ser convidada para uma reunião, sessão, produto ou serviço.
Aqui entram as automatizações.
Imagina que alguém descarrega o teu ebook.
Podes criar uma sequência como esta:
Depois de criado, este percurso pode funcionar repetidamente.
Chega uma nova pessoa hoje.
Outra amanhã.
Outra daqui a uma semana.
Cada uma entra na mesma estrutura, mas começa a sua jornada no momento em que chega.
É assim que começamos a deixar de fazer marketing apenas quando nos lembramos.
Existe também um erro no sentido contrário.
Automatizar tudo e nunca mais olhar para aquilo.
Não é esse o objetivo.
Se estás a acompanhar os teus contactos, podes perceber:
Quando chega o momento de fazer um contacto mais pessoal, já tens contexto.
E uma conversa com contexto é muito diferente de uma mensagem fria enviada ao acaso.
Esta é uma ideia que considero importante.
Há pessoas que vão entrar na tua lista e comprar rapidamente.
Outras não.
Algumas podem passar meses a receber os teus emails sem responder uma única vez.
Isso não significa necessariamente que não estejam a prestar atenção.
Às vezes o marketing funciona simplesmente porque estás presente.
Quando surgir a necessidade, a pergunta passa a ser:
“De quem é que eu me lembro para resolver isto?”
E se durante meses apareceste no email, nas redes sociais, no teu site ou num evento, aumentas a probabilidade de seres uma das pessoas lembradas.
Outra consequência do crescimento da inteligência artificial é a sensação de que precisamos de experimentar tudo.
Hoje aparece uma ferramenta.
Amanhã outra tem uma funcionalidade nova.
Na semana seguinte aparece uma terceira.
E rapidamente podemos estar a pagar várias mensalidades sem utilizar realmente nenhuma delas a fundo.
A pergunta que devemos fazer não é:
“Qual é a ferramenta mais avançada?”
Mas sim:
“Qual é a ferramenta que realmente encaixa no meu processo de trabalho?”
Uma ferramenta que conheces profundamente e utilizas todos os dias pode ter muito mais valor do que cinco subscrições que quase nunca abres.
Se tens um pequeno negócio e queres começar a aproveitar esta nova fase da inteligência artificial, não precisas de automatizar tudo de uma vez.
Começaria por um processo simples:
Depois podes adicionar mais complexidade.
Mas primeiro põe a roda a andar.
Se estás a investir em anúncios, esta estrutura torna-se ainda mais importante. Não faz sentido pagar constantemente para chegar a novas pessoas e depois perder quase todas aquelas que não compram imediatamente.
Podes complementar este artigo com:
Meta Ads para Pequenos Negócios: Como Criar Anúncios sem Complicar
Para mim, é precisamente o contrário.
Deve retirar-te das tarefas repetitivas para conseguires dedicar mais tempo ao negócio.
Pensar.
Falar com clientes.
Criar melhores ofertas.
Construir relações.
Tomar decisões.
A IA pode fazer com que algumas tarefas que demoravam uma hora passem a demorar alguns minutos.
Mas a decisão sobre aquilo que deve ser feito continua a precisar de alguém que compreenda o negócio.
Sim. Dependendo das ferramentas e integrações disponíveis, a inteligência artificial pode ajudar na criação de conteúdos, emails, páginas, organização de informação e automatizações. O nível de execução disponível depende sempre das plataformas utilizadas.
Não recomendo. A IA é excelente para acelerar o processo, mas deve existir revisão humana antes de publicar, enviar ou tomar ações importantes.
Pode ajudar a construir grande parte da estrutura, como copy, páginas, emails e sequência. Mesmo assim, é importante validar a oferta, os formulários, os links, as conversões e toda a experiência antes de colocar tráfego no funil.
Sim. O email permite manter uma relação direta com pessoas que já demonstraram interesse e continuar presente mesmo quando ainda não estão preparadas para comprar.
Não. É preferível dominar um conjunto pequeno de ferramentas que realmente utilizas do que acumular várias subscrições sem um processo claro.
Na Oficina do Empreendedor Desenrascado trabalhamos precisamente desta forma: ferramentas, funis, anúncios, email marketing, inteligência artificial e implementação aplicada ao negócio real.
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